O Julgamento da Névoa Rubra – Fragor

Fragor. Dizem que os maiores exploradores de Aylin são desta cidade colossal construída por pequenos homens. O mundo que conhecemos foi desbravado pelos clãs anões que tanto caminhavam por toda parte em busca de locais de mineração. Foi assim que Magni descobriu a Rocha Cromática antes de desaparecer sem deixar rastros. Pelo menos é isso que consta nos livros. A única certeza que tenho é que serei uma das pessoas mais altas da cidade.

Era isso que se passava na mente de Elloran quando estava se encaminhando para o seu terceiro julgamento. O fardo de ter sido dominada por Krivoc fez com que ela aprendesse muito sobre magia, mas ter perdido os poderes que havia adquirido ainda é algo bastante traumático para a elfa que se encaminha à cidade que foi construída pelos Gigantes das Nuvens com o auxílio dos Genasi do Ar. Desde os portões no alto da colina até às torres no ponto mais alto, tudo em Fragor é um reduto de lendas, heróis e fartura.

É sabido que, antes da Guerra das Feras, os Clãs Anões, os Gnomos Feéricos e os Pequeninos Tribais , se aliaram antes mesmo das Tribos Humanas. Os conflitos que haviam ao norte do continente eram contra seres que ficaram conhecidos como Ecos do Ocaso, criaturas que vagavam do mar ao norte de Fragor para Aylin. Gigantes, Genasi, Anões, Gnomos e Pequeninos lutaram e deram suas vidas para salvar suas terras. Quando os Aasimar chegaram, em poucos dias os conflitos chegaram ao fim.

A escolta da Armada Macabra de Inférnia que acompanhou Elloran até os portões de Fragor rapidamente se retirou quando os Tempestuosos das Marés assumiram o posto. O exército sagrado das montanhas do norte sempre foram respeitados por sua força naval além da experiência com a caça de monstros em ambientes hostis. Caminhos por Fragor é sentir o cheiro de especiarias em toda parte, bebidas fortes e muita música em tavernas e praças. Definitivamente, a Capital Lunar Cheia é a cidade mais segura ainda que não seja a mais justa.

Por conta o tratado da Coalizão dos Pequenos Homens, os Anões são responsáveis pelas forças militares, os Gnomos são responsáveis pelo desenvolvimento da magia e da tecnologia enquanto que os Pequeninos cuidam da agricultura e do comércio. Além da segurança extrema, Fragor possui os melhores inventores do continente e também os pratos mais saborosos. Tudo isso estaria ao alcance de Elloran.

Os Tempestuosos das Marés caminharam com a elfa pela cidade. Diferente dos guardas de elite de Inférnia e de Lumius, os militares de Fragor foram educados, gentis e ainda ofereceram alimentos diversos à Elloran que, inicialmente, se recusou a pegar, mas ao perceber que era algo genuíno da parte deles, ela aceitou. Pães, vinhos, queijos e cervejas nunca foram tão bem preparados. Elloran estava se sentindo segura e bem o bastante para encarar a coroa de Fragor. Encaminhada ao Castelo de Galman, o Rei, o Conselheiro e o Diplomata aguardavam a chegada de Elloran com muita ansiedade e bastante interesse.

– Veja se não é a elfa de quem Marcellus e Eros tanto falaram nos últimos dias. Seja muitíssimo bem0vinda à Fragor, Elloran. – disse um anão com uma coroa.

Fazia muito tempo que um elfo de sangue puro não pisava em nossas terras. Depois do estouro que o Arquimago de Ael’Fellor causou na Guerra das Feras, os povos feéricos forma banidos das Terras Cheias. – complementou um gnomo.

Oi, elfa! Aceita um bolinho? Acabaram de sair do forno e acho que esse negócio aqui o meu assistente chama de café. Quem experimentar. – perguntou um pequenino próximo de um banquete.

– Eu sou Elloran das Ilhas de Naylo no Arquipélago de Ael’Fellor. Maga de Quinto Ciclo da Academia de Artes Arcanas de Limius, especializada em Encantamento, Ilusão e, infelizmente, Necromancia.

Os três se entreolharam e começaram a cercar Elloran que ficou atenta. Então eles se apresentaram e, sem demora, disseram qual era o veredito de Fragor.

– Eu sou o Rei Belgran III, e concedo o perdão de Fragor à você, Elloran das Ilhas de Naylo.

Eu sou o Conselheiro e concedo o perdão de Fragor à você, Elloran das Ilhas de Naylo.

– Eu sou Diplomata Ton’Icho e concedo o perdão de Fragor á você, Elloran das Ilhas de Naylo.

Confusa, Elloran olhou para os três homens que a cercavam e achou tudo aquilo fácil demais. Um mês encarcerada em Lumius. Sete dias presa nas catacumbas da Armada Macabra. Tão bem tratada em Fragor, a capital mais militarizada do continente? Ela quesionou.

– Vocês estão brincando comigo? O que é que vocês pensam que estão fazendo? Isso sequer é um julgamento e vocês estão simplesmente me perdoando sem fazer qualquer alegação contra mim? O que ou quem vocês pensam que são para decidir arbitrariamente quem merece ou não o perdão de Fragor, senhores?

Ton’Icho se aproxima de Elloran com um grande sorriso no rosto e disse com toda a calma que há em seu pequeno corpo.

– Você já pagou a sua sentença, Elloran. A cada prato que você comia, a cada gole de bebida que você ingeria e ao admirar as maravilhas do mundo que sobreviveu ao caos que você mesma instaurou, nós estávamos drenando lentamente a Essência de Krivoc que habitava em você. Não somos tolos como os demais que já te julgaram e agora nós temos mais um dos Ecos de Krivoc para impedir seu amaldiçoado Renascimento Profano. Você está dispensada.

Furiosa por não ter mais acesso à Necromancia, Elloran deixa o castelo a passos largos até que se vê interceptada por seu irmão caçula. Letriel, munido de seu arco, com flechas em sua aljava, espadas curtas nas costas e adagas na cintura, anunciou a ordem do Arquimago Mestre do Saber.

– Maga Elloran, sua presença é solicitada em Ael’Fellor pelo uso descontrolado de magia arcana desbalanceando o equilíbrio de poder entre as capitais lunares. Venha imediatamente!

Vendo o pesar nos olhos de seu irmão, Elloran o seguiu até os portais de Fragor e pensou.

– Isso, definitivamente, foi fácil demais para acreditar.

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