Centelha de Vida

A vida é intensa e bela. Eu já ouvi muitas pessoas dizendo que não são nada sem uma força maior, que são pequenas perante a grandiosidade do universo e que acreditam que as coisas acontecem segundo a vontade do destino. Essas crenças movem essas pessoas de uma maneira ou de outra e não cabe a ninguém julgar as coisas nas quais uma pessoa acredita ou deixa de acreditar. A intensidade das coisas varia de pessoa para pessoa e, no melhor sentido possível, eu sinto muito.

Há pessoas no mundo que são emocionalmente mais intensas do que outras em diversos aspectos. Existem pessoas que se animam muito rápido com qualquer coisa que acontece ao seu redor, existem pessoas que choram por ene motivos, existem pessoas que só se sentem intensas quando estão sob pressão. No entanto, há pessoas que apenas sentem as coisas de uma forma diferente e intensa ao ponto de não conseguirem expressar exatamente o que querem dizer por meio da fala e então se expressam por meio da arte.

Eu sou uma das pessoas que sentem muito e recentemente eu tive que lidar com coisas consideravelmente pesadas a nível pessoal em um curtíssimo espaço de tempo. Houveram dois funerais de familiares em um espaço de duas semanas e é muita coisa para processar. Lidar com luto é algo natural que todas as pessoas vão passar em algum momento da vida e o único caminho é sentir tudo e expressar o que estiver sentindo da melhor forma possível. Eu ainda não sei em qual fase eu estou, mas sei que é apenas uma etapa pela qual já passei outras vezes e estou passando agora.

Quando se trata de situações emocionais extremas como a que eu acabei de descrever, cada pessoa lida com suas emoções e sentimentos de uma forma distinta. Algumas simplesmente se isolam para melhorar, outras ficam com medo de demostrar vulnerabilidade e guardam o que estão sentindo e também há casos de pessoa que colocam tudo para fora de uma maneira intensa ao ponto de não sentirem mais a dor que o luto trás. Atravessar uma torrente de sentimentos em meio ao caos que o dia a dia nos trás é um ato brutal pelo qual eu estou tendo que passar e, ainda que eu receba ajuda, sou eu que preciso resolver o que está dentro de mim.

Pela minha experiência, tudo na vida é um processo que pode ser dividido em etapas menores. É isso que eu aprendi a fazer desde criança quando comecei estudar tecnologia e eu apliquei isso durante a vida toda. É estranho como a morte de uma pessoa próxima pode fazer com que pensemos com mais afinco sobre a vida e como ela é frágil e passageira e, por isso, bela. Não há nada melhor no mundo do que estar vivo e poder aproveitar o que a vida tem a nos oferecer. Tendo isso em vista, eu vejo que há vida em toda parte para que possamos admirar e agradecer por elas.

Saber que há coisas para experimentar na Terra é algo muito reconfortante. Existem coisas que eu ainda não fiz que eu desejo fazer como provar alguns pratos que já me disseram que são muito bons, conhecer alguns lugares paradisíacos do Brasil e do mundo, poder viajar quando e para onde eu quiser sem preocupações do dia a dia. Há muitas coisas na vida que eu ainda desejo fazer e manter o foco no objetivo é o que me faz seguir sempre em frente ao passo que compreendo que todo ciclo tem um começo, um meio e um fim.

Essa coisa que a vida nos apresenta o tempo todo por meio das mudanças é algo que renova as forças das pessoas. O mundo todo está passando por mudanças a cada segundo e as pessoas que melhor se adaptam conseguem continuar relevantes por mais tempo até que outras pessoas surjam para assumir seus lugares. É o ciclo da influência assim como o ciclo da vida. Nós nascemos, crescemos, nos desenvolvemos e, cedo ou tarde, o fim inexorável da vida nos abraça neste mundo para, talvez, nos levar para outros mundos que poderemos explorar com mais ou menos liberdade.

A centelha da vida que nos é dada ao nascermos pode ser alimentada de diversas formas e expressada por meio de infinitas maneiras. Algumas pessoas manifestam vida de uma forma externa enquanto que outras são introspectivas em suas demonstrações. Isso tudo nos leva a colocar as pessoas em caixas, mas não é bem assim que as coisas funcionam porque, dependendo do contexto, a pessoa extrovertida pode se retrair e a pessoa retraída pode se tornar expansiva em um piscar de olhos. A vida sempre dá um jeito de nos surpreender assim como as pessoas conseguem fazer o mesmo conosco o tempo todo. As surpresas do dia a dia tornam as coisas mais leves se você souber como tirar o melhor de cada situação.

Os ciclos da vida aparecem em todos os momentos nos quais queremos nos reconstruir. Podemos estar quebrados e permanecer assim por algum tempo enquanto juntamos os pedaços para criar uma nova versão de quem somos. Quando caímos, podemos sempre nos levantar com ou sem ajuda. No momento em que precisamos focar em nosso interior e perceber o que está errado é a hora de aprender mais sobre quem somos no momento e quem queremos nos tornar em um futuro próximo ou distante.

Sempre haverá mais vida após o luto. Sempre haverá saídas para problemas. Sempre haverá esperança para momentos difíceis. O que nós precisamos fazer o tempo todo é colocar a cabeça no lugar, definir o que devemos fazer para seguir em frente sem deixar de sentir o que estamos sentindo. Entender suas emoções, deixar que elas fluam e colocar as coisas da vida em seu devido lugar é a base para todo recomeço, seja em fase de luto ou qualquer outro ciclo que se encerra e recomeça. Onde há vida, há esperança e, em tempos de dor sempre haverá cura.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: