Pergaminho de Dante, o Exilado

Quem diria que ela estaria por aqui depois de tudo o que houve. Jônatas ainda estaria vivo se não fosse por causa dela e Tomas ainda ousa protegê-la em sua casa depois de tudo o que ela fez nossa família passar. Humberto, meu pai, era um tolo que confiava mais nos negócios do que em minha mãe Miranda e, por causa disso acabou morto pelas mãos de meu mentor. Quem diria que eu seria treinado pelo homem que matou meu pai, mas eu não me importo com isso porque eu não precisei da Armada Macabra para ser respeitado em Inférnia.

Minha mãe está desaparecida para todos das Terras Minguantes e eu sou a única pessoa que sabe a verdadeira localização dela. Alguns dias atrás eu recebi uma mensagem de minha mãe que dizia para dar um fim a Nyx, minha irmã, e a Tomas, meu irmão mais velho. Ele a protege como se ela precisasse depois de ter se tornado uma fugitiva após a morte de nosso irmão Jônatas, mas ela consegue se virar sozinha e o peso de minha maça aguarda por isso ansiosamente. Não tenho dúvidas que ela não lutará sozinha, mas eu gosto da desvantagem em combate.

Sabendo do Torneio das Oito Castas, eu sei que as pessoas estariam de olho nos competidores, então decidi me inscrever. O evento subitamente foi encerrado quando o General Ancião apareceu emanando sua presença aterradora que amedrontou todos aqueles que estavam presentes no evento e tornou as confraternizações em um caos generalizado. Quando as Eríneas começaram a auxiliar a Armada Macabra para conter os competidores que ainda não haviam lutado, eu me aproveitei disso para procurar por Tomas. Correndo pelos corredores da Arena de Ramael, eu acabei esbarrando na ala médica do local e lá estava ela: Lady Nyx dos Necrossangue.

Acompanhada de uma Aasimar e de um Tabaxi, Nyx se dispersou e eu a perdi de vista. Os boatos eram reais e foi então que confirmei que Tomas realmente era seu comparsa assim como a Aasimar e o Tabaxi. Esses dois estavam carregando um corpo e, por um instante, até me identifiquei com a forma que eles interagem entre si e não é muito diferente do que meu mentor fazia em seus negócios. Após isso tudo, eu segui para uma das entradas da arena e o que estava acontecendo aqueceu o meu sangue profano. Todos estavam digladiando contra os guardas.

Decidi não me envolver com aquele conflito ainda que meus instintos falassem mais alto porque algo me distraiu por alguns instantes. O relincho de um pégaso me chamou a atenção e lá estava aquele ser celestial pronto para ser corrompido indo em direção a uma Caída de cabelos reluzentes como a primeira luz do dia. Havia uma terceira Aasimar com a aura de Zatur emanando e, certamente, poderia ser uma grande aliada para meus propósitos porque creio que, assim como eu, ela possui manchas em sua alma que seria impossíveis de remediar quando se é uma criatura movida pela Ira.

O que mais me surpreendeu foi um tipo de ser infernal novo para mim. Um homem de sangue ancestral corrompido pelas magias de Inférnia lutando como um verdadeiro diabo em meio a arena dilacerando todos com seus machados. Mesmo quando desarmado, ele foi capaz de partir uma Erínea ao meio com as próprias mãos. O que eu poderia fazer além de admirar tudo o que estava acontecendo? Todos cedendo à Ira alimentando ainda mais o meu pecado que fora suprimido assim como todos os outros por conta de um ritual anual que a Sacerdotisa Anciã realiza em Inférnia. Deveras patético.

Quando a poeira baixou, eu temi pela minha vida ao ver o pecado de Tomas manifestado. A forma corruptora dele foi capaz de nocautear aquele que por anos foi meu mentor: Klaus, o Filho do Inferno que, por ordens da Caída foi levado como cativo para o quartel da Armada Macabra. Isso, certamente me fez pensar sobre a missão que minha mãe me dera para aniquilar Tomas e Nyx. No entanto, havia uma pessoa capaz de fazer com que eu chamasse a atenção de meus irmãos porque não há nada mais precioso para Tomas do que sua belíssima esposa Ullane.

Aproveitando a movimentação da arena para o quartel, eu fui até o estábulo mais próximo, peguei meu Pesadelo e parti rumo a casa de meu irmão onde Ullane estava com Glória. Os servos me deixaram entrar, mas eu sabia que estava sendo observado por todo mundo ali dentro, principalmente por Ullane que nunca confiou em mim. Isso sempre estava presente na cara de nojo que ela sempre faz quando quero visitar meu irmão. Ela, por sua vez, impediu que eu chegasse até Glória ainda que eu insistisse em ver minha pequena sobrinha. Infelizmente eu tive que nocautear minha excelentíssima cunhada.

Então, com toda a postura que minha mãe me ensinou a ter, escondi o corpo de Ullane na biblioteca da mansão e depois matei alguns dos servos que, certamente, não eram páreo para minhas habilidades de combate. Fui até Glória para falar com minha sobrinha que se recusava a deixar que eu me aproximasse dela. Mesmo a ameaçando, a criança parecia impassível e determinada a ficar onde estava. Sem pestanejar eu estendi minha mão para tocá-la e ela estendeu uma carta de tarô com entalhes de prata que brilhavam como a luz da lua crescente e um totem de madeira.

Eu tentei chegar ao lado de fora da mansão o mais rápido que pude, mas não consegui. Lá estavam eles me aguardando com as armas em punho. Tivemos uma breve conversa na qual fui ameaçado por todos até que senti meu corpo sendo puxado para outro local que, pela mudança de pressão, era frio, úmido e próximo do mar. Ao olhar para trás lá estava minha mãe coberta por sombras, as mesmas sombras que cercavam meu pai quando entrava em combate. Ela me disse para manter guarda e convocar Thanatos pois a Miséria de Krivoc seria espalhada por toda Aylin.

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