Diário de Eliseu

Já fazem alguns meses que eu não tenho tempo para escrever neste diário. Você pode me dar um desconto também porque eu passei alguns anos em uma clínica de reabilitação antes da minha vida virar de ponta cabeça. No começo eu estava achando tudo muito divertido porque eu consigo moldar a realidade, mas após ver o que realmente controla este mundo, eu entendi o que minha irmã queria dizer quando ela me falava para tomar cuidado. Antes eram apenas paparazzi tentando ganhar a vida com as fotos da estrela em ascenção Lizzy Lopes, mas agora são pessoas, ou pelo menos aparentam ser pessoas, que devem favores umas as outras como se essa moeda valesse mais do que dinheiro para elas. Eu sou Eliseu Lopes. Eu sou um Desperto. Eu sou um Mago.

Minha irmã, Lizzy, sempre foi muito intensa em tudo o que fez e sempre tentou me proteger de nossos pais. Ela não sabia muito bem como fazer as coisas, mas sempre esteve ao meu lado quando eu precisei dela. Ainda que ela tenha ficado muito tempo sem me visitar na clínica no Rio de Janeiro, eu sei que era por uma boa causa porque ela sempre se importou muito com a sua carreita musical e ela é muito boa nisso. O último álbum dela está tão bom que alguns artistas internacionais entraram em contato com a nova agente dela. Sim, não sabemos o que houve com Rebeca, mas esperamos que ela esteja bem. Ela também é como Lizzy.

Eu descobri que Lizzy era uma Vampira em pouco tempo. Eu a ajudei a fazer um disparo de uma pistola ficar silencioso, eu teleportei ela do banheiro de uma casa de uma senhora com TOC para o nosso apartamento e salvei ela e as amigas dela de uma explosão de um carro logo depois de Lizzy matar um Lobisomem e dois Vampiros além de ter ouvido sons de briga do lado de dentro da casa do que disseram ser de uma Príncipe. Eu não faço ideia de como a sociedade secreta que a Lizzy faz parte funciona, mas eu tenho certeza de que é perigoso. Depois que ela descobriu que Sophia, uma amiga dela, havia morrido, minha irmã se tornou outra pessoa. Eu não sei se a reconheço mais.

Lizzy agora mata se precisar matar, manipula pessoas que ela chama de mortais e, algumas vezes, bolsas de sangue não são o bastante para ela. Ela usa de seus poderes, se é que dá para chamar o que ela tem de poder, para conseguir o que quer, quando quer e da forma que quer. Inacreditavelmente, ela sempre consegue fazer isso com humanos sem dificuldade alguma, mas eu notei algumas fraquezas dela que podem acabar colocando não apenas ela, mas todos nós que a amamos em risco. Eu temo tanto pela vida, ou existência, de minha irmã que mal consigo me manter focado em meus estudos que não são pouco porque envolve Taumaturgia quando estou na Cabala e Música lá na universidade.

Lizzy nunca teve um temperamento tranquilo e também nunca foi muito esperta. Esse é um dos motivos de eu me preocupar tanto com ela e ter colocado algumas proteções contra todos os tipos de criaturas que eu consegui encontrar em tomos roubados da Torre de Marfim em Viena após eu descobrir que havia um tipo de Vampiro que é capaz de manipular a realidade por meio do sangue. Nojento? Talvez. Interessante? Com certeza. Eu me pergunto como é que isso se tornou possível, mas acho que não estou muito afim de descobrir. Já basta ter que acobertar Lizzy e seus novos amigos dos problemas que eles causam por aqui.

Por que eu estou escrevendo hoje? É simples: Bianca, uma violinista que italiana que conheci na faculdade de música logo na primeira semana, sumiu do nada e ainda não apareceu. Fazem meses que não temos mais notícias dela e é como se as pessoas nem se lembrassem dela. Fico me perguntando o que pode ter acontecido porque o último rastro dela termina em uma mansão de um condomínio afastado da cidade. É insano ter tanto poder em minhas mãos e não poder salvar uma amiga. Sabe, que se dane que Lizzy me diga que é perigoso. Agora eu posso ferver o sangue de uma pessoa ao ponto de queimá-la por dentro.

É a ultima semana do ano e eu não me senti confortável de acompanhar Lizzy na agenda de artitas dela porque sei que desta vez as coisas não serão como antes. Ela vai se alimentar no camarim e nos intervalos de cada apresentação. Ainda que eu ame minha irmã eu sei que uma parte dela não vive mais naquele corpo frio e que ficará eternamente paralisado em seu envelhecimento no auge de seus vinte e cinco anos de idade com o seu corpo de modelo, suas tatuagens estravagantes e as mechas coloridas do arco-íris que ela chama de cabelo. Tudo o que eu espero é que a existência dela continue diferente da minha que vai se esvair com o passar do dias.

Os perigos de Amaya estão aumentando a cada dia. Algumas regiões controladas pelo crime organizado está lidando com toque de recolher logo ao cair da noite. O centro da cidade, ainda que tenham ainda mais eventos, está com segurança armada em toda a parte. As regiões mais afastadas da cidade estão sofrendo do que a mídia está chamando de ataques de animais, só que os corpos nunca são revelados ou encontrados. As docas que costumavam ser mais tranquilas estão sendo ainda mais vigiadas depois da explosão que aconteceu no Farol. O que me assusta em meio a tudo isso é que há um movimento nas ruas de Amaya que cresce a cada dia até dentro da faculdade. Eu ouvi pelos corredores o seguinte:

Nós somos as Crias do Crepúsculo e a única geração capaz de dominar aquilo que os Anciões acreditam ser deles por direito.

Espero que isso seja só converda fiada. Agora eu preciso dormir enquanto posso.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: