O Julgamento da Névoa Rubra – Ael’Fellor

“É estranho voltar como prisioneira para o lugar que um dia eu chamei de casa. As fadas fazendo entregas, as dríades dançando na primavera, as incansáveis festas dos sátiros e a graciosidade das Cortes dos Eladrins. Não há nada no mundo que seja mais belo do que a natureza mágica e intocada de Ael’Fellor. Ao mesmo tempo, me sinto mal por ser considerada a desgraça de meu povo.”

Após a remoção da Essência de Krivoc de dentro de seu corpo, Elloran se tornou incapaz de conjurar magias de Necromancia. Ela, por sua vez, sabe que para recuperar as habilidades de manipular a essência necrótica precisará estudar novamente as runas e os componentes necessários como qualquer aprendiz de magia deve fazer. Para uma vida élfica isso não é muito tempo, mas para uma elfa educada por humanos, a pressa pela conquista é inevitável.

Acompanhada pelos Tempestuosos até a Academia de Conjuradores de Batalha de Fragor, Elloran foi teleportada para o centro de Ael’Fellor, a Capital Lunar Nova e o refúgio das criaturas feéricas do continente de Aylin. Diferente do dia de sua apresentação à corte, aos arquimagos e aos deuses, Elloran agora estava sozinha diante do atual Mestre do Saber Thallan da Floresta das Bestas que a aguardava sozinho. Não havia qualquer movimento no centro da cidade exceto pelos robes dos dois conjuradores que o vento jogava delicadamente de um lado para outro. Sem hesitação, Elloran abriu o diálogo com o Arauto de Norian que permanecia impassível diante da Névoa Rubra.

– É bom estar em casa novamente apesar dos pesares, Arquimago Thallan. Talvez agora eu compreenda os motivos pelos quais você não permitiu minha entrada na Academia Arcana de minha terra natal. Todavia, não seria muito arbitrário eu ser julgada apenas por você?

Thallan começou a caminhar em direção a Elloran. Seus passos ecoavam ao ponto de incomodar os sentidos de Elloran. Era como se o Arauto de Norian estivesse e não estivesse naquele lugar ao mesmo tempo. A sensação que ela teve foi a mesma se seu primeiro encontro com Krivoc, o Dracolich. Ao se aproximar de Elloran, Thallan começou a falar.

– Você não é apenas a desonra de nosso povo, Maga Elloran das Ilhas de Naylo, mas também é a nossa única chance de saber como limpar nossa história após a batalha conhecida como da Queda do Dracolich, o confronto liderado por Norian em pessoa. Você é uma fonte de poder arcano inigualável, jovem feérica. Creio que você é capaz de ter o mesmo conhecimento que eu, mas, diferente de mim, você poderá lutar não apenas pelas Ilhas de Naylo como seus irmãos Letriel e Alron, mas também por todo o Arquipélago de Ael’Fellor honrando o nome de Norian.

– De fato, Arauto, é uma oferta tentadora sabendo que eu teria o domínio total sobre a Essência assim como você e como a Primeira Arquimaga. E o que eu devo fazer para me tornar uma Mestre do Saber assim como Norian e como você, Arquimago Thallan da Floresta das Bestas?

Quando Elloran terminou de responder ao Arauto de Norian, os olhos do Arquimago começaram a emanar um poder arcano equiparável ao de Elloran enquanto estava sob efeito do controle de Krivoc. Thallan começou a canalizar uma quantidade enorme de essência ao ponto de seu corpo começar a se transformar em um Avatar de Kosmo, o Arcano Convergente. Elloran, sedenta pelo poder e pelo conhecimento, não sabia por onde começar a questionar o que estava diante de seus olhos. Então a criatura de magia pura começou a falar.

– É necessário que você confesse o que realmente aconteceu para que fosse dominada por Krivoc com o máximo de detalhes possível, Elloran das Ilhas de Naylo. Se tuas respostas forem verdadeiras, eu lhe indicarei o caminho para se tornar o que Norian foi primariamente: A Primeira Campeã Lunar Nova. Se tuas respostas forem falsas, você será banida pela eternidade do Arquipélago de Ael’Fellor.

Após os últimos três julgamentos, Elloran finalmente estava vendo uma oportunidade real para se redimir de seus crimes e se tornar alguém com poder, influência além de receber o mesmo título da mulher que dá nome a sua amada terra natal. A elfa assentiu com a cabeça e falou abertamente.

– Eu não estava me saindo bem em meus estudos de Necromancia na Academia de Artes Arcanas de Ael’Fellor e busquei auxílio do Mestre Salazar Sangr’alma, Lorde Arcanista de Necromancia que fora instruído por um Mago de Ael’Fellor, Aaravos das Cavernas de Mana. Salazar possuía muito interesse em História da Magia e por Dragões. Muitas de suas pesquisas sobre Bahxis envolvia a Linhagem de Dragões em uma árvore genealógica que começava no próprio Bahxis até o último dragão nascido na última década. A única linhagem que ele se preocupara em pesquisar com afinco era a Linhagem de Krivoc, o Ganancioso e o primeiro Dragão Vermelho consciente.

– O que foi que a levou até o Grimório de Krivoc, Elloran? – indagou Thallan, o Avatar de Kosmo.

– Em busca de respostas para uma dúvida acadêmica, eu fui ao escritório do Mestre Salazar, mas ele não se encontrava em sua torre. Eu decidi esperar para ver se ele chegaria em breve e, ao encostar na porta, percebi que ela estava aberta e decidi entrar. Havia tanto conhecimento exposto em pergaminhos, livros, grimórios e anotações que eu não percebi o tempo passar. Era tudo tão didático que até mesmo Beluma, uma colega de turma quis me ajudar quando encontrou o Grimório de Krivoc e me entregou em pessoa.

– Então o grimório não foi encontrado por você, mas sim entregue por uma pessoa de nome Beluma que o encontrara antes de ti, Elloran?

– Sim, Beluma Olatoris, uma mestiça feérica de Lumius. Tudo o que vem depois disso é o que as guildas coletaram sobre mim para o veredito do Rei Marcellus Presaprata do Reino Argênteo de Lumius das Terras Crescentes.

Um pulso poderoso de energia arcana cessou a manifestação do Avatar de Kosmo. Thallan, os Quatro Reis e Rainhas Eládricos e os Oito Arquimagos estavam diante de Elloran no centro da cidade novamente. A elfa, por sua vez, sem entender o que estava acontecendo, olhava para todos os lados a fim de compreender quando foi que tudo aquilo. Arquimago Thallan, por sua vez, disse sem pestanejar.

– Você está absolvida de seus crimes contra os Domínios Feéricos do Arquipélago de Ael’Fellor e não mais será considerada a Névoa Rubra em nossas terras nem mesmo pelos feéricos que habitam em qualquer região de Aylin. Como recompensa por sua honestidade, temos para ti uma recompensa e uma missão para a qual você pode recrutar pessoas para lhe ajudar, criança: Uma infantaria de Renegados de Ael’Fellor está invadindo o Repouso do Coração Solar em busca da Biblioteca Máxima de Elanna, local este onde acreditam estar os Artefatos de Norian. Os registros dizem que lá estão todos os tesouros que ela abandonou após a Queda do Dracolich. Recupere os Artefatos de Norian para Ael’Fellor e elimine qualquer resistência renegada que encontrar.

– Eu, Elloran das Ilhas de Naylo, reunirei uma equipe apara me auxiliar nesta missão, Arauto Thallan da Floresta das Bestas. No entanto, peço que aguarde meu julgamento em Jinlong e, após o veredito do Imperador Dragão e dos Tigres de Jinlong, eu retornarei a Ael’Fellor e aguardarei a chegada daqueles que forem dignos de pisar no Repouso do Coração Solar.

“Eu esperava que os elfos fossem mais rigorosos em relação ao meu julgamento, mas eles perdoaram meus crimes e deram-me uma missão para recuperar os artefatos da Primeira Arquimaga e Campeã Lunar Norian de Ael’Fellor. Sendo assim, preciso me preparar para o veredito de Jinlong. Conhecendo os extremos das Terras do Eclipse e a rixa entre os clãs, eu espero que todos sejam razoáveis comigo e creio que serão. É o único assentamento humano que sabe receber qualquer criatura viva.

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