O Retorno do Filho Pródigo

Dentre todas as pessoas que já habitaram em Amaya, uma delas é conhecida como um de seus filhos mais queridos em toda a sua história. Para alguns esta pessoa não passa de uma lenda urbana sobre o primórdios da cidade que nunca dorme enquanto que para outros que conhecem as verdadeiras engrenagens que fazem com que a cidade se mova sabem que esta criatura é bastante respeitada em seu meio. Tudo o que se sabe sobre ela é o que os rumores contam e que sua recepção na noite de sua chegada foi calorosa por toda a sociedade cainita.

O Aeroporto Internacional Fernão Condor estava consideravelmente movimentado. A segurança local estava sendo orientada por uma mulher de terno feito sob medida, cabelos castanhos e pele bronzeada que carregava consigo um livro de capa preta e usava um colar com uma pedra vermelha idêntica as pedras que estavam em seus brincos. Ao terminar sua conversa com a segurança local, seus saltos ecoavam pelos corredores até localizar a sala de controle na qual as rotas de voo estavam sendo definidas. Apenas com seu olhar e poucas palavras pediu para a pessoa responsável pelas rotas alterar todas para que o um jato particular pousasse em menos de trinta minutos e assim foi feito. No céu, um homem estava ansioso pelo seu próprio retorno.

Dentro do jato que se preparava para pousar, nada se ouvia além dos som das turbinas e dos passos dos comissários de bordo. Em uma região reservada estava aquele que ansiava por reencontrar as pessoas que fizeram com que ele se tornasse a pessoa, ou a criatura, que ele é hoje. Para aliviar sua ansiedade, ele estava se alimentando como todo bom cainita faz quando possui um rebanho que o acompanha em viagens longas. Logo que terminou o que estava fazendo, ele decidiu ir até a cabine do piloto e questionar algo que para o momento parecia relevante.

— Como está o clima em Amaya e quanto tempo falta para chegarmos? Não aguento mais ficar nesta lata de sardinha pressurizada.

— Senhor, creio que chegaremos em alguns minutos. O clima em Amaya está agradável e está garoando como de costume.

Um sorriso nostálgico apareceu no rosto do homem que pensava consigo que certas coisas nunca mudam independente de quem comanda a cidade. Quando os Anarquistas tomaram conta, Amaya foi conhecida como a Garoa das Cinzas. No período dominado pelo Sabbat, talvez o período mais sombrio pelo qual a cidade já passou durante a Revolução de 32, ficou conhecida como a Garoa Sangrenta e, após a tomada da cidade do Hélio que tentou reestruturar um regime anarquista, Sara e Marco o impediram e instituíram a Camarilla na cidade que, desde então, possui a alcunha de Garoa Noturna. Sempre choveu alguma coisa em Amaya e, desta vez, pode chover fogo.

A mulher que aguardava no aeroporto estava ao lado de uma limusine ligada enquanto o jato pousava. Assim que o rebanho e os comissário desceram, lá estava o cainita que todos consideravam uma lenda e que foi o primeiro a dominar a região diante de qualquer seita chegar com a colonização portuguesa. Com trajes casuais dos dias de hoje, ele se aproximou da limusine, retirou seus óculos escuros e então seus olhos avermelhados como sangue fresco apareceram.

— Seja bem-vindo de volta, Raoni. Creio que há muito que eu deva te atualizar quanto ao que está acontecendo na cidade.

— Não se preocupe, Isobel, tempo é algo que temos.

— Raoni, lembre-se de que eu serei localizada pela Torre caso você faça qualquer coisa contra mim.

— Eu jamais faria algo contra a minha mais antiga aliada. Vamos, quero saber como as coisas estão em meus antigos domínios.

Com seus olhos ainda mais avermelhados, Raoni seguiu os rastros deixados por outros cainitas assim como ele. De um lado ele sabia que os mais antigos estavam longe lutando no Oriente Médio porque ele também ouviu o chamado. De outro lado, os Sangue-Ralo estavam cada vez mais presentes nas ruas enquanto que os vampiros mais antigos eram aqueles que foram abraçados durante a Independência do Brasil. Isobel lhe resumiu as últimas décadas de Amaya e ele compreendeu os motivos por trás das patrulhas de inquisidores sob o comando das forças militares. Ao chegar na região dos condomínios de luxo, Isobel disse.

— Marco é o atual Príncipe da Camarilla após Sara abdicar de seu cargo e reassumir suas atividades gerenciando os eventos que acontecem na cidade. Ele é um homem nobre de valores antigos. Tente não desrespeitá-lo.

— Todo Ventrue precisa se sentir no poder, mas o sangue ralo dele sempre vai se submeter aquele que se equipara a Helena tanto a nível de conhecimento quanto em tempo de existência.

Caminhando pelas casas, Raoni logo encontrou aquela que batia com descrição que Isobel lhe deu pelo caminho. O que mais o impressionava era como alguém prefere algo feito de concreto do que um local mais próximo da natureza bestial que todo vampiro possui. Quando um dos seguranças do Príncipe tentou falar com Raoni, ele teve seu pescoço quebrado e os alarmes foram acionados. Nenhum carniçal era páreo para o Matusalém Gangrel que adentrava ao recinto sem temer qualquer resistência. Logo que o último segurança caiu, o banho de sangue foi o bastante para que Marco aparecesse.

— Eu compreendo que eles não eram os mais educados dentre os mortais, mas não creio que havia a necessidade de tamanha sujeira em minha residência. Quem é o senhor?

— Para alguém que domina esta cidade, Ventrue, você deveria saber quem eu sou. Sei que seu clã de preocupa muito com a história que seus membros construíram. No entanto, eu fui o primeiro a chegar aqui e você deve ter uma noção do que eu sou capaz de fazer.

— Tudo o que sei é que está desrespeitando o meu domínio e peço que se retire antes que eu tenha que usar métodos de persuasão arcaicos.

Raoni se aproximou em um piscar de olhos e colocou Marco contra a parede sem dificuldade alguma com seus olhos avermelhados, suas garras expostas e suas presas com vitae que corria pelos carniçais do Ventrue que temia por sua existência não-viva.

— Eu sou Raoni, seu idiota. Eu sou mais antigo do que você pode imaginar e se eu bem quiser não vai ficar uma única pessoa viva nesta cidade de merda que você tanto protege com os preceitos da Camarilla. Então, escuta bem o que eu vou te falar porque espero que eu não tenha que dizer isso novamente: Eu quero que você me envie semanalmente um rebanho para que eu me alimente. Caso contrário, Amaya ficará sobe regime de um Gangrel em sua plenitude de poder.

Segundos depois, Marco estava sozinho e a primeira coisa que fez foi uma ligação.

— Selene, preciso de reforços!

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